OS RECUOS DE UM POLÍTICO FRACO E DESPREPARADO.

Chama a atenção a quantidade de recuos nas declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro. Percebe-se um clima de desencontro e improviso a cada nova pérola proferida, minando a credibilidade de um governo que ainda nem sequer começou de fato. Quem perde, claro, é o Brasil.

Alteração da Embaixada Brasileira em Israel

A cogitação de se alterar a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém provocou uma retaliação do Egito, quinto maior importador da carne de frango do Brasil, que cancelou uma visita do nosso ministro das Relações Exteriores e suspendeu negociações com empresários brasileiros, sem data para reagendamento. Os países do mundo árabe, que juntos são o segundo maior importador da proteína animal brasileira, tendem a se afastar do Brasil, um negócio de US$ 13 bilhões em 2017 e com mercado para crescer. Diante da mancada, Bolsonaro tentou amenizar a declaração, dizendo que a mudança de embaixada não está entre as prioridades.

Negócios com a China

No ímpeto de virar um quintal para os EUA, Bolsonaro fez declarações que deixaram em alerta a China, maior parceiro comercial do Brasil. Durante sua campanha, Bolsonaro denominou a China como um predador, que estaria buscando dominar importantes setores da economia brasileira. O resultado imediato foi que empresários chineses puseram seus projetos “em compasso de espera”, aguardando as sinalizações do presidente eleito antes de definirem novos negócios. Depois disso, Bolsonaro se encontrou com o embaixador chinês, Li Jinzhang, afirmando que o comércio com o país asiático poderá ser ampliado.

Universidades Federais no Ministério da Ciencia e Tecnologia.

Bolsonaro declarou que as universidades federais ficarão subordinadas ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTIC), uma alteração que traria um série de contratempos e nenhuma vantagem, haja vista a estrutura complexa e mais alinhada ao ensino nessas universidades. Diante da repercussão negativa, teve que desdizer, definindo agora que as universidades federais continuarão vinculadas ao Ministério da Educação (MEC).

Fusão do Ministério da Agricultura e do Ministério do Meio Ambiente.

Um desastre anunciado. Os conflitos de interesses gerados numa fusão entre o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) seriam evidentes até mesmo para alguém pouco habituado às demandas dessas pastas. Mas não para Bolsonaro. Foi obrigado a recuar, diante de tão estapafúrdia declaração.

Extinção do Ministério do Trabalho 

Tratando o tema com desleixo, Bolsonaro chegou a dizer que o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) poderia ser "incorporado a algum ministério"(sic). Depois, divulgou que o MTE será uma pasta do Ministério da Economia (a ser criado). Voltou atrás, e disse recentemente que o MTE não perderá o status de ministério.

Reforma da Previdência em 2018

Ávido por continuar o desmonte iniciado por Michel Temer, Bolsonaro planejava iniciar uma reforma da Previdência Social ainda neste ano. Uma reforma que deixaria de fora políticos, juízes, procuradores e militares, jogando a conta nas costas dos trabalhadores. Foi demovido da ideia, mas em 2019 essa será sua prioridade. Será preciso muita mobilização popular para se evitar qualquer reforma que penalize, ainda mais, a população.

Há um ditado que diz: "de onde menos se espera, é de onde não vem nada mesmo". Mas Bolsonaro, com sua inabilidade e amadorismo em tantos temas, está surpreendendo mesmo quem já imaginava que seu governo seria um "primor" de incompetência. 


Por Francisco Mestre

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