CONDENADO SEM PROVAS, LULA É, DE NOVO, UM PRESO POLÍTICO.

Na ditadura militar, durante uma greve no ABC paulista no ano de 1980, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema sofreu uma intervenção autorizada por Murilo Macedo, o Ministro do Trabalho do general João Batista Figueiredo. Devido a sua liderança, Lula foi então detido e permaneceu preso por trinta e um dias nas instalações do DOPS paulista, cassado como dirigente sindical e processado com base na Lei de Segurança Nacional. Em 1981, a Justiça Militar o condenou a três anos e meio de detenção por incitação à desordem coletiva, porém Lula recorreu e foi absolvido no ano seguinte. 

Ontem, a História se repete, e Lula é preso, dessa vez a partir de uma condenação sem provas. 

É cada vez mais evidente a perseguição política a Lula por parte dos agentes do golpismo político-jurídico-midiático, que objetiva, com a condenação de Lula em segunda instância, torná-lo inelegível ao pleito de 2018, no qual é franco favorito à eleição presidencial. E várias são as evidências de perseguição política: 

1. o processo do triplex foi acolhido na vara de Curitiba, sendo que o imóvel está localizado no Estado de São Paulo, ferindo o princípio do juiz natural; 

2. a denúncia baseou-se na delação sem provas de Leo Pinheiro, da OAS, que após longo tempo em prisão preventiva resolveu alterar uma delação inicial que não incluía Lula, o que caracterizaria delação sob tortura psicológica; 

3. a condenação na primeira instância por Moro não mostrou provas de favorecimento por parte de Lula;

4. essa condenação também ignorou provas de que o triplex pertence à OAS, e não ao Lula; 

5. o andamento excepcionalmente rápido que o processo recebeu na segunda instância (TRF4), claramente considerando o calendário eleitoral; 

6. a condenação unânime, sem provas, e com dosimetrias idênticas, por parte do TRF4, obviamente com o objetivo de evitar embargos infringentes por parte da defesa, o que daria mais tempo ao Lula até as eleições de outubro;

7. a manobra torpe da ministra Cármem Lúcia no STF, que se recusou a pautar as Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) que tratam do trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Isso prejudicou Lula, pois há maioria no STF que entende que a Constituição Federal em seu Art. 5, inc. LVII, que diz: "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória", deva ser respeitada;

8. A atropelada autorização para prisão do Lula, expedida pelo TRF4 antes mesmo de esgotados os recursos da segunda instância;

9. A consequente decretação de prisão expedida por Moro, que além de não respeitar os recursos de segunda instância a que Lula tinha direito, ainda os classificou em seu despacho como "patologias protelatórias", uma vez mais demonstrando seu desapreço pelo direito de defesa.

Tudo orquestrado de forma a tornar Lula inelegível, e enfraquecê-lo politicamente. Agora, Lula é novamente um preso político. Se foi preso no passado por sua liderança sindical, hoje é preso por sua liderança nas pesquisas eleitorais: seria eleito em qualquer cenário, contra qualquer adversário. Por quanto tempo ficará preso, não se sabe. Há a previsão de que enfim as ADCs sejam pautadas no STF, o que pode ocorrer na próxima semana. Mas, como já vimos, confiar na atual justiça brasileira não é algo animador. Ao menos, não para o Lula.


Por Francisco Mestre




Imagem:
Brasil de Fato (editada).

Fontes:
http://www.institutotrabalhistas.com/2018/02/lula-e-mandela-como-elite-trata-aqueles.html?m=1
https://www.bloguedofranciscomestre.com/2018/04/lula-peca-asilo-politico-e-denuncie-o.html?m=1#more
http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/em-ordem-de-prisao-de-lula-moro-diz-que-embargos-de-embargos-constituem-patologia-protelatoria/


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